24 abril, 2025

Carta #1

É meu amigo, amizade de duas décadas não é fraca não!


E desde muito jovens nós dois temos essa afinidade pela escrita. Por este exercício, essa prática, apesar de nunca termos levado a fundo essa arte. 


Nunca é tarde. 


Mas, escrever por escrever já é valioso. Valioso como humano. 


O que aprendi como artista é que a arte é uma forma de expressão. 


Como assim? 


Às vezes a gente tem um sentimento, uma sensação aqui dentro e a gente não consegue dizer o que é. 


Já sentiu isso?


Não conseguimos nem definir o que sentimos. 


Do amor e gratidão à angústia e aperto no peito. 


O medo. 


É um caldeirão que a gente não controla. 


Queremos e precisamos dizer, falar. Mas as palavras não funcionam nessas horas. Elas são sim uma ferramenta de expressão, comunicação. Mas existem coisas que queremos dizer que as palavras não são suficientes.


(Ou são caladas e proibidas por imposição).


Um rabisco abstrato talvez funcione; tintas; barro; uma tela; uma parede.


Escrita talvez, mas que não esteja num discurso direto; um poema, de repente. 


Uma frase. 


Apenas uma frase que não tenha sentido, mas que contenha em si megaton de energia em potencial. 


A arte é uma forma de expressão. 


É um grito. 


Um pedido de socorro. 


Explosão de felicidade que é tamanha que, como disse, só assim é possível traduzir.


Tem coisa que a gente quer dizer, mas não sabe como: a gente só quer partir pra violência e quebrar a cara de um. 


Há danos e consequências. 


E existem aqueles que sim, conseguem traduzir em palavras tudo aquilo que sentem.

Existem mesmo pessoas que conseguem? Existem pessoas que conseguem em alguns momentos e outros não?


E o que hoje vejo (mas não generalizando) é que estamos tão à mercê na correnteza da rotina que não pensamos e nem nos permitimos nos expressar.


Gritar, usando a técnica que seja.


Nós, da nossa geração, que abrimos nossa casa desde cedo para um computador, que o vimos chegar e o convidamos a se sentar em nossa sala, e depois o trouxemos para o quarto, até arrumar um quarto só pra ele, vivemos esses dois mundos e talvez alguns de nós ainda tente alternar harmoniosamente entre esses dois mundos; talvez ainda tentando se acostumar até o fim com essa habilidade manca.


(Isso em si já é um consumo extra de energia).


Portanto, sentar e escrever o que queremos, da forma que queremos, nessa vida corrida e agitada, tentando ainda construir e nos encontrar, levando conosco os nossos, escrever com sentimento: é um ato de resistência. 


Colocar o cérebro e sentimentos, escrever com a alma, expressar, ser eu, ser humano.


Este blog é a nossa digital humana [digital porque é nosso registro, como aquilo que temos na pele dos dedos, ironicamente hospedada digitalmente].


EU SOU HUMANO! E quero lutar pela humanidade! Para que se lembrem que somos humanos e, cara, é muito bom ser isso.


Será que sou raso? Bom, eu nado na profundidade que consigo atingir, isso não me faz menos ou menor. E isso não importa.





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